CABANA DE TRONCOS

Nasce com este trabalho a concepção arquitetônica que orientará todas as demais.

Ele ilustra, explica e resume a abrangência do conteúdo desenvolvido no processo de criação e descreve o que sustenta cada proposta apresentada em particular.

 Projetar e construir requer um exercício de reflexão e trabalho, um conjunto de conhecimentos, que somados, ao mesmo tempo em que se concebe antecipadamente o que virá a ser, apresentará o reflexo cultural de toda uma epocalidade.

Ocorre que muitas vezes não percebemos que atuamos numa malha de referências. Então o que aparece como resposta a esta necessidade a ser suprida (a de MORAR) e que envolve um conjunto de personagens

(cliente, arquiteto, construtor, fornecedor...) muitas vezes é reflexo deste entendimento em que operamos na atualidade o que estamos vivendo num determinado tempo.

Clique na imagem para ampliá-la

 

 

 

Clique na imagem para ampliá-la

Clique na imagem para ampliá-la

 

Isto significa que para pensar de fato e questionar todo este conjunto de referências assimiladas em que nos encontramos - por uma necessidade maior de buscar resolver situações criativamente e dar um passo além - na maioria das vezes não chega nem a ser cogitado. Porque sequer desconfiamos de que exista esta possibilidade ou que possa haver uma gama ilimitada de possibilidades, devido ao limite natural de referências que  temos das coisas de que necessitamos e que são retro-alimentadas pela própria auto-sugestão de “conceitos fechados” da visão geral de tudo que conhecemos. 

E aqui, onde criar-se-á o ambiente, que organizará a vida para desfrutar os momentos mais significativos, geralmente é irrelevante a atenção dada. Na grande maioria das vezes nem  sabemos o que queremos ou o que  podemos querer ou, como é possível também querer. 

Neste sentido, na atual circunstância em que se encontra nossa sociedade, muitas questões devem ser levantadas e, além de saber o que se  promete num futuro projetado em analise ao presente, também devemos saber descortinar novos entendimentos furando esta bolha referencial fechada de como  “percebemos” a realidade em que vivemos e vislumbrar um pouco da possível abertura de novas possibilidades.

 

 

É através do poder questionador e, em questionando, que vão surgindo novas relações de entendimento.

 E por conseqüência reformulações de paradigmas e referências (na sua maioria paradoxais).

 Na seqüência deste raciocínio – tendo em mente que toda a abordagem  refere-se a COMO MORAR,

podemos dar um salto para a figura da CABANA DE TRONCOS.

 Arquitetura inteiramente em madeira (inclusive o telhado), referência de protótipo primitivo de moradia. Um processo artesanal de execução. Arquétipo do desejo de abrigo e repouso. Neste caso específico, elaborada com detalhes que fazem enriquecer seu significado, como: rejuntes internos decorados com folha de ouro, contraste de tons naturais de madeira de lei, no forro, no piso e na escada. Uso intencional das toras com formas irregulares, luz zenital, vitrais medievais e vidros bisotês, ofurô de tora de Pinheiro oco, jogo de iluminação e equilíbrio de formas e peças especiais, utilizando intencionalmente o contraste entre o “primitivo” e a tecnologia assimilada.

Isto porque o espaço que nos envolve nos conforma, nos influencia, é o espelho do nosso espírito e a reverberação do nosso interior, de como sentimos e percebemos a vida e nós mesmos. Todo esse conjunto é passível de leitura, avaliação e influências.

 

Clique na imagem para ampliá-la

 

Clique na imagem para ampliá-la

 

 

Este projeto surgiu e esta obra se concretizou sobre a tensão de duas mundividências:

 o “ espírito de geometria “ e o “ espírito de finura ”, ou seja, confronto entre o processo do método como regra e ordem do modelo matemático a guiar o pensamento que

 se ajusta ao “racionalismo dedutivo”, com o “coração” como forma singular de inteligência que apreende num só lance o conhecimento imediato e intuitivo dos princípios indemonstráveis da vida carregados de emoção e atavismo

 do que permanece profundamente e sempre humano. 

Neste sentido a Cabana de Troncos é o estereotipo destes “dois espíritos”.

Como coroamento desta proposta, com o intuito de provocar a reflexão deste confronto, colocamos na parte interna central da cabana, um local destinado a uma escultura especial: a maquete de um arranha céu – símbolo da  contemporaneidade, intitulada: “Urbanidade Impermeável”. O objetivo do contraste proposital de contextos é provocar amplo questionamento ante nossa situação irreversível de desequilíbrio assimilado. No seguinte sentido: a ênfase demasiada recaindo sobre a prioridade de um método lógico a que tudo se aplica, muitas vezes chega a extremos insuportáveis, devido ao fechamento no enfoque tecnológico.

   

 

O que tudo isto significa ou orienta nesta concepção e abordagem é ilustrar com este conjunto de elementos

 o descritivo do texto inicial e vir a propiciar novas hipóteses para se resolver problemas sérios, que são do interior de cada um, no processo de resgate do bom espírito ou de simplificar as necessidades.

 

Mauro Antonietto

 Clique na imagem para ampliá-la
Clique para ampliar Clique para ampliar Clique para ampliar

Copyright 2012 © Arquiteto Mauro Antonietto - Todos os direitos reservados. All rights reserved